Resenha | Mosquitolândia – Intrínseca

Olá, pessoas lindas! Hoje trago para vocês a minha opinião sobre o livro Mosquitolândia, romance de estréia do autor David Arnold e publicado pela editora Intrínseca.

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Título: Mosquitolândia | Autora: David Arnold | Editora: Intrínseca | Páginas: 352 | Adicione: Skoob | Avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐ | Compre o Livro: Amazon (comprando por este link, você contribui para o crescimento e desenvolvimento do blog ♥).

Mim Malone certamente não está nada bem. Após o inesperado divórcio dos pais, é tirada de sua casa em Ohio para o árido Mississippi, onde passa a morar com o pai e a madrasta e a ser medicada contra a própria vontade. Porém, antes mesmo de a poeira da mudança baixar, ela descobre que a mãe está doente. Sufocada por sua nova vida e sedenta por respostas, Mim foge e embarca em um ônibus com destino a seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe a 1.524 km de distância, e acaba encontrando alguns companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho.

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“Meu nome é Mary Iris Malone, e eu não estou nada bem.”

A bem da verdade não existem muitas coisas a falar sobre o enredo deste livro, além do que o prefácio sugere. O fascínio está em desvendar a jornada da estranhíssima Mim Malone “ao lado” dela – para mim, aí é que mora a magia da história. Não teria o mesmo encanto se eu soubesse de antemão os lugares pelos quais Mim iria passar, as pessoas que ela iria conhecer e todas as revelações que ela teria ao longo da viagem – e, até mesmo, se ela alcançaria o objetivo de encontrar a mãe.

Mim tinha todas as características necessárias para ser uma rebelde sem causa, assim como o enredo tinha tudo para ir ladeira abaixo. Porém, o autor conseguiu conferir uma profundidade ímpar a ambos, cativando o leitor do início ao fim. Irônica, ativa e corajosa – Mim e sua essência forte e verdadeira me fisgaram de cara. Até na sua fraqueza, ela conseguia demonstrar uma força inacreditável e inspiradora – foi impossível não me apegar a sua fragilidade e força de vontade. Ao irmos desvendando fatos do passado de Mim vamos descobrindo que existem razões intrínsecas, uma bola de neve de acontecimentos ao longo de sua vida que a levaram a colapsar e fujir.

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“Acho que o que quero dizer é que aprendi a aceitar minha dor como uma amiga, seja lá qual forma ela assumir. Porque sei que é a única coisa que me diferencia da mais miserável das espécies: os genéricos.”

Os personagens secundários são brilhantemente bem construídos e, cada um deles, cumpriu seu propósito de encantar e causar um sentimento de identificação com o leitor. A história, em sua totalidade, foi muito bem descrita e estruturada. Me surpreendeu a presença vívida do autor na narrativa, como se a mesma fosse um relato íntimo e pessoal passado de uma forma intensa e pura – ele manteve uma linha de raciocínio muito afiada e contínua ao longo de toda a narrativa. Em Mosquitolândia não existem pontas soltas. Tudo tem sua razão de ser – inclusive o nome tão esquisito.

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“Mas essa é a essência da mudança, não é? Quando é gradual, chama-se crescimento; quando é rápida, mudança. E, meu Deus, como as coisas mudam: algumas coisas, nada, outras coisas, tudo… Todas as coisas mudam.”

David Arnold conseguiu abordar diversos temas tabus sem deixar maçante ou aquela sensação de que o assunto foi jogado no enredo de forma descuidada. David foi capaz de expôr e explanar  corretamente todos os temas que se propôs a abordar. Um destes temas que, para mim, foi importantíssima, foram as problemáticas acerca do quanto a falta de diálogo entre adultos e adolescentes afeta o desenvolvimento destes últimos. No fim, Mim tinha todo o direito de não estar bem.

Mosquitolândia é um livro de reflexões acerca da vida através do ponto de vista de uma adolescente extremamente pertinente – sobre ser surpreendido pelas diversas verdades contidas em uma única pessoa, sobre o quanto a vida nos obriga a nos tornarmos pessoas diferentes e mudarmos nossos julgamentos sobre as outras. E sobre a vida consistir na obrigatoriedade de enfrentar as múltiplas realidades – nossas e dos outros.

É isso, pessoal! Desejo a todos vocês um Ano Novo sensacional, repleto de felicidade e amor! Até o ano que vem! Beijos! 💖

Karen Silva

20 anos, estudante de Nutrição. Vejo na literatura uma constante e instigante forma de aprendizagem. Os livros me abrem os olhos para as possibilidades e espero nunca perder o gosto por eles.

Um comentário sobre “Resenha | Mosquitolândia – Intrínseca

  1. Jéssica Medeiros disse:

    Uau, adorei!!! No começo, quando a resenha começou, achei mesmo que ela fugia por ser uma “rebelde sem causa”, mas no desenrolar você disse que tudo tem um motivo especifico e fiquei muito curiosa pra saber que motivo é esse que torna a fuga dela explicável e não uma futilidade. Vou ler assim que eu puder 😉

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