Resenha | A Filha Perdida – Intrínseca

Olá, pessoas lindasl! A resenha dessa semana é sobre o formidável A Filha Perdida da escritora Elena Ferrante. Espero que gostem! ❤

Título: A Filha Perdida | Autora: Elena Ferrante | Editora: Intrínseca | Idioma: Português | Páginas: 400 | ISBN: 978-85-510-0032-8 | Adicione: Skoob | Avaliação: ♥ ♥ ♥ ♥ | Compre o Livro: Amazon (contribua para o crescimento e desenvolvimento do blog ♥).

 

Leda, uma professora universitária de meia-idade, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela tem sua atenção capturada por uma grande e ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena, que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe, o que faz Leda recordar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.

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“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.”

A trama é narrada em primeira pessoa pela Leda e podemos analisar com clareza seus sentimentos conflitantes. E, apesar de sua frieza em algumas situações causar um certo desconforto, a forma como a personagem se desnuda, expondo seus pensamentos e sentimentos, nos causa uma certa identificação. Leda ama as filhas, porém vê a maternidade como um fardo que carregou por tempo demais. Ela enxerga na relação entre Nina e sua filha reflexos de uma jovem Leda, cheia de expectativas quanto a filhos e casamento. Expectativas, essas, que não foram nem de longe atingidas. Ao meu ver, foi isso que motivou a observação quase obsessiva de Leda quanto à família napolitana: a necessidade de quebrar a perfeição vista na superfície.

“Assim, aos vinte e cinco anos, qualquer outra brincadeira havia acabado para mim. O pai corria mundo afora, uma oportunidade atrás da outra. Não tinha nem o tempo de reparar o que fora copiado do seu corpo, como havia resultado a reprodução. Mal olhava as duas meninas, mas dizia com ternura verdadeira: são iguaizinhas a você”.

A narrativa da Elena é bastante crua, sem floreios ou tentativas de amenizar a dura realidade que ela quer retratar. Este não é um livro para despertar fortes emoções, diria até que é um tanto monótono – porém, a construção textual consegue quebrar o marasmo e abrilhantar até os menores detalhes. A única dificuldade foi fazer a separação de passado e presente, que muitas vezes não ficava clara – a autora, muito provavelmente, quis entrelaçar as memórias de Leda à atualidade com o objetivo de tornar mais evidentes as semelhanças das situações.

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“- Eu as amava demais e achava que o amor por elas impedia que eu me tornasse eu mesma.”

Um livro que surpreende por conter uma imensa profundidade em tão poucas páginas, que tem como objetivo despertar reflexões acerca de estigmas há tanto tempo colocados sobre as mulheres. Uma narrativa poderosa que trás desconstrução e autoconhecimento, abordando a maternidade de um ponto de vista frio e pouquíssimas vezes explorado, retratando como a família pode ter poder sobre a vida de diferentes gerações de mulheres e como é difícil nos desconectarmos de nossas raízes, por mais que não as apreciemos.

Por hoje é só, pessoal! Espero que tenham gostado! Beijos! ♥ 

Karen Silva

20 anos, estudante de Nutrição. Vejo na literatura uma constante e instigante forma de aprendizagem. Os livros me abrem os olhos para as possibilidades e espero nunca perder o gosto por eles.

Um comentário sobre “Resenha | A Filha Perdida – Intrínseca

  1. Jéssica Medeiros disse:

    O livro parece bem interessante mesmo, mas ainda não decidi se é exatamente o tipo que eu gosto rsrsrsr Vou pensar com carinho sobre ele quando for comprar outros livros. Se eu realmente trouxer ele pra casa, espero não me decepcionar também rsrs

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