Resenha | Juntando os pedaços

Oi galera, tudo bem?

Faz tempo que não apareço aqui – devido à problemas de adaptação de novas rotinas -, ainda estou, na verdade, mas consegui uma folguinha para compartilhar com você uma das melhores leituras do ano, com uma mensagem magnífica <3

Claro, depois de Por Lugares Incríveis (tem resenha completa do livro AQUI) virei fã da Jennifer Niven e, depois de conhecê-la pessoalmente na  Bienal então, nem se fala ♥

Nem preciso falar que SURTEI quando recebi o exemplar de prova do novo livro dela, da Editora Seguinte, então basicamente furei uma lista com inúmeras leituras para começar essa.

Sem mais delongas, vamos lá?

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Jennifer Niven, você roubou meu coração. (De novo).

Jack Masselin tem prosopagnosia – doença neurológica rara que o impede de reconhecer o rosto das pessoas -. Todos os dias acorda e não reconhece o rosto que o encara de volta no espelho. Não reconhece as pessoas com quem mora em casa, sua família. E ninguém sabe disso. Nem sua família, seus amigos, ou sua quase namorada. É considerado o bam-bam-bam da escola, bonito, sempre com os populares, namorado da garota mais disputada… Como ele esconde a doença? Identificando as pessoas através de aspectos não-faciais, como cabelo, cor da pele, e voz.

“Faça o que for preciso. Qualquer coisa para não ser a vítima. É sempre melhor ser o caçador do que a caça.”

Libby Strout foi considerada a Adolescente Mais Gorda dos Estados Unidos. Literalmente. Após perder sua mãe por um aneurisma repentino, aos 10 anos de idade, a garota perdeu seu rumo da vida, começou a ter crises de pânico e ansiedade e a temer a morte a cada segundo. Descontou tudo isso na comida, e chegou a pesar 296 kg, ficar presa em casa, deitada, mal conseguindo mexer o pescoço sozinha, até precisar ser resgatada de casa, onde uma parede foi completamente destruída para que a garota fosse retirada de lá por um GUINDASTE. Isso mesmo, você leu certo.

“Sinto que sou a única que ficou estacionada.”

Agora, após perder quase 140 kg, e passar anos estudando em casa, ela vai enfrentar o Ensino Médio. Pessoas. Pessoas más.

Mas ela se recusa a baixar a cabeça, afinal, como ela diz: “NÃO PERDI QUASE 140 KG E DEIXEI DE COMER PIZZA E BOLACHA PARA SER HUMILHADA”.

“Até o fim da vida, tem sempre alguma coisa esperando, e mesmo que seja uma coisa ruim, que você sabe que é ruim, o que você pode fazer? Não dá para parar de viver.”

Quando os caminhos de Jack e Libby se cruzam, de forma NADA amigável, tudo indica que os dois irão se bicar o tempo todo, afinal tal situação é totalmente humilhante mas, Jennifer Niven – com sua magia expressada através da escrita -, bagunça tudo, e quebra nosso coração, mais uma vez.

15033567_1450299121687455_435919505_nRecebi o exemplar de prova da Editora Seguinte, e logo entrei em pânico, porque a princípio, não estava muito “contagiada”. Apesar de a escrita continuar linda, não estava conseguindo sentir aquela conexão com a história. Mas, o que eu não levei em consideração, foi que a Jennifer fez uma abordagem diferente de seu outro livro. Em Por lugares incríveis, Violet e Finch têm uma interação instantânea devido às situações pessoais similares pelas quais passam. Em “Juntando os pedaços”, Jennifer Niven primeiro nos apresenta o mundo individual de cada personagem e seus dilemas, para depois fazer uma encruzilhada entre eles.

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No caso da Libby, encontramos uma garota acima do peso que teve que aprender a lidar com preconceitos, maus olhares, pena e perdas.

“Em todas as aulas, sento sozinha, como se sobrepeso fosse contagioso.”

Mas mesmo mediante isso, não deixa seus sonhos se apagarem, sua paz se esvair. Não se deixa intimidar por padrões. Sempre sonhou em ser bailarina, então dança sempre que pode, e vai se inscrever para a seleção de líderes de torcida diante de gargalhadas e vaias, porém, sorri de volta e devolve um olhar de: “E daí?”

“Ninguém nunca mais vai me dizer que não consigo. Assim como ninguém devia dizer a você o que pode ou não pode fazer. Nem você mesmo.”

Libby Strout. Fanart de @aanadesenhou

Libby Strout. Fanart de @aanadesenhou

E Jack, um garoto que sempre se escondeu dentro de si, com muros tão altos que ele mesmo teme não poder derrubar. Que sempre foi o que as pessoas quiseram que ele fosse, sempre fez o esperado, disse o desejado, aparentou um bem-estar de espírito inexistente. Sempre se focou tanto na aparência que teme perder sua própria alma. Não tem objetivos, ou perspectivas para o futuro, pois sua doença o incapacita de ser normal.

“É aqui que eu desmonto as coisas e monto de um jeito diferente. Como eu queria poder fazer isso comigo mesmo.”

Mas o que ele não sabe? Que o normal, é muito chato. E que as coisas vão muito além de reconhecimento alheio e aparência. Adivinha quem vai ensiná-lo isso da forma mais contraditória e linda possível?

“Você acha que ninguém te entende e que você está sozinho e isso te deixa com raiva. ‘Porque eles não enxergam? Porque alguém não diz: Ei, você parece sobrecarregado. Eu seguro um pouco do peso para você não ter que cuidar de tudo o tempo todo’. Mas é VOCÊ que tem que falar alguma coisa. Se você tem alguma coisa a dizer, DIGA!”

Esse livro vai te fazer rir, chorar, suspirar, refletir. Me abriu os olhos, permitindo-me ver caminhos que eu não sabia da existência, e possibilidades que eu nunca levei em consideração.

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Eu estava em pedaços, tão pequena, tão quebradiça, tão insignificante, e esse livro me juntou. Cada pedacinho de mim. O que eu aprendi?

Que alguém gosta de mim. Que meu corpo não muda quem sou. Que eu sou importante. Que não preciso ser perfeita o tempo todo. Que eu não sou uma aberração. Que chorar não me torna fraca. Que meus sonhos não são inalcançáveis. Que alguém precisa de mim. Que eu faço diferença. Que eu tenho o poder de mudar. Que padrões não me definem. Que julgamentos não devem me abalar, porque sou melhor do que isso.

Meu amigo, preciso te dizer algo:

Você é amado. Você é importante. Você é luz. Você não é só mais um, você é único. Imperfeições e diferenças não te tornam um zero à esquerda. Você é maravilhoso. Incrível. Magnífico. Você brilha tanto, mas tanto, que nem mesmo a escuridão mais assustadora e obscura pode te ofuscar, a não ser que você permita. Me faça um favor?

Não permita.
Você, eu, nós, fazemos diferença.

Não podemos ter medo de deixar o castelo. Tem um mundo enorme e maravilhoso nos esperando. Vamos aproveitá-lo. Me dá sua mão, vem comigo. Vamos.
Você não está sozinho. Alguém gosta de você.

Não é “só mais um livro”.
Existem aqueles que curam com remédios.
Livros curam com palavras.

Obrigado por existir, Jennifer Niven.

Fonte: Google Imagens

Fonte: Google Imagens

“Como alguém recentemente diagnosticado com prosopagnosia, me disseram que não processo rostos como as outras pessoas. Que eu evito os olhos, por exemplo. Mas não pareço ter nenhuma dificuldade em olhar nos seus.”

Título: Juntando os pedaços | Autora: Jennifer Niven | Editora: Seguinte | Páginas: 392 | Ano: 2016 | Adicione: Skoob | Compre o livro na pré-venda: Amazon (comprando o livro por este link, você contribui para o crescimento e desenvolvimento do blog ♥).

Kennia Santos

SP, 20. Completamente fissurada em leitura, futebol e Star Wars.

Um comentário sobre “Resenha | Juntando os pedaços

  1. Jéssica Medeiros disse:

    Kennia, eu to morta com sua resenha… Parece ser um livro que toca la dentro, de despem a gente de todos os véus que as vezes nós mesmos colocamos a nossa frente. Eu to terrivelmente apaixonada por esse livro só por conta de como você faz essa resenha.
    E sim, concordo plenamente com você, livros curam com palavras <3

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