Resenha | Apenas Um Garoto

E aí, pessoal? O tema LGBT está sendo cada vez mais abordado em todo tipo de arte, neste caso: a literatura. Não é nada comparado a quantidade de romances existentes, mas é um progresso comparando-o com o que se tinha em mãos anos atrás. Apenas Um Garoto é mais uma leitura do tema, não é o melhor, mas vale a escrita do autor.

www.editoraarqueiro.com.br

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Apenas Um Garoto conta a história de Rafe, um garoto assumidamente gay que nunca teve problemas maiores com tal situação, como a violência física. Pelo contrário, ele é aceito por boa parte de sua cidade, porém algumas atitudes ainda são tidas como homofóbicas, como algumas regras impostas no vestiário masculino. Esse é um rótulo que Rafe, e todo ser humano homossexual, vai carregar, a palavra ‘gay‘ sempre virá acompanhada, como um sobrenome.

Ficha Técnica:  Título: Apenas um Garoto | Autor: Bill Konigsberg | Tradutor: Rachel Agavino | Editora: Editora Arqueiro | Especificações: 256 páginas, brochura, 16 x 23 cm | ISBN: 9788580415 | Adicione: Skoob | Avaliação: ♥ ♥ ♥ | Compre: Amazon (realizando a compra por este link, você contribui para o crescimento e desenvolvimento do blog ♥).

Incomodado com a sua atual situação e reputação, Rafe decide mudar-se, para a Natick (colégio interno apenas para garotos) e construir uma vida nova ocultando uma parte do seu ser: sua sexualidade, não apenas na questão física, como nos atos e na personalidade.

“- Estou cansado disso. Estou cansado de ser um garoto gay. Não quero mais isso para mim. Eu só quero ser, tipo um garoto normal.”

Logo de inicio, ele conquista seus primeiros contatos no colégio, a partir daí o seu plano entra em desenvolvimento. Rafe é parte do clube dos atletas, conversa de variados assuntos com os ‘manos’, frequenta novos locais, não se preocupa com as regras do vestiário e, o essencial, não ouve frequentemente o termo ‘gay’.

Com o passar dos dias, Rafe se aproxima de seu colega de quarto e amigo, vistos como estranhos pelo grupo de atletas, e começa a questionar-se sobre qual é a sua verdadeira bolha social, sua zona de conforto, o seu grupo real. Seu questionamento se complica a cada minuto, devido a sua característica oculta se apoderando-se novamente do seu ser e o debate a favor dos atletas.

“Como me distanciei tanto do verdadeiro Rafe, se meu único objetivo era encontrá-lo?”

Eis que uma das amizades de Rafe se torna paixão. A questão é: ser quem realmente é ou “fazer a egípcia”?

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Eu definiria o livro como interessante, aborda um dos temas mais tabus da sociedade e critica outros mais, mas, particularmente, não acha que foi feito da maneira certa. Bill Konigsberg cria um cenário quase perfeito aliado a uma tranquilidade do personagem principal. Atentos: Rafe, gay assumido aos 13 anos, classe média/alta, aceito pelos pais, aceito por 90% da cidade, não sofre de violência física ou verbal. Mesmo assim, decide “mudar de vida” e ocultar sua verdadeira personalidade. Que mundo é esse, meu Deus?

Outro ponto questionável na narrativa são os personagens. Além da inconstância consigo mesmo de Rafe, outros personagens parecem mudar constantemente de personalidade. Temos homofóbico amigo de gay, bipolaridade (não literalmente), gay sendo homofóbico, tem de tudo. E, mais uma vez, Rafe e suas gafes, tão incomodado com o seu rótulo GAY, mas sempre estereotipando até as paredes em sua volta.

Em suma, é um livro com uma boa proposta e, talvez, uma boa intenção (por isso as 3 estrelas), além de uma narrativa fluída. Mas, em quesito de crítica o autor deixa a desejar em muitos momentos. Aconselho a leitura, pois este é o MEU ponto de vista sobre os questionamentos levantados pelo o autor. Se você leu, me diz o que achou nos comentários.

Até logo, até breve.

Ycaro Santana

Baiano, 15 anos, estudante. Quando não me encontrar lendo, verás uma extensão infinita de outras possibilidades envolvendo a literatura, seja escrevendo, acompanhando adaptações ou buscando novas opções para viver. Permaneço em meu mundo particular e, algumas vezes ando por este planeta chamado Terra.

6 comentários sobre “Resenha | Apenas Um Garoto

  1. Aline disse:

    Acho que fiquei mais curiosa ao ler o “é mais uma leitura do tema, não é o melhor, mas vale a escrita do autor.” e saber quais as suas dicas de livros sobre o tema…
    Pode indicar?!rsrs

    Ah, parabéns pela resenha, bem objetiva, adorei.

  2. Jéssica Medeiros disse:

    É como você disse, Ycaro: interessante. Rsrs Bom, não li o livro pra conseguir opinar direito, mas pela resenha… É bem interessante mesmo a questão dele esconder quem ele realmente é porque isso acontece taaanto nesse mundo (e é tão absolutamente ridículo que algumas das pessoas tenham que fazer isso só pra tentar serem aceitos na sociedade como pessoas “normais”, e quando digo ridículo, é para essa sociedade “normal”). Mas o que “baixou minha bola” com o livro apesar dessa abordagem, foi a questão do porque ele faz isso… Ue, ele não era aceito pela familia e por quase todos da cidade? 10% vão fazer mesmo ele querer mudar tão assim??
    Mas, então… Vou colocar esse na lista porque sou dessas hahaha

    • Ycaro Santana disse:
      Ycaro Santana

      Oi, Jéssica. Exatamente. Me incomodou muito o fato dele ser assumido, ser aceito e, mesmo assim, querer modificar o que estava ali em suas mãos. Enfim, recomendo a leitura, pois este foi apenas um ponto de vista, me conta o que achou depois.

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