Resenha | Sem olhar para trás

Olá lindos, tudo bem com vocês?

Hoje vou resenhar um livro de um das minhas autoras nacionais favoritas, não sei se cheguei a comentar, mas tenho um pequeno bloqueio com nacionais… Não por falta de dar oportunidade, mas com exceção de autoras como Carina Rissi, Bianca Briones, FML Pepper e a Lycia, é muito difícil achar um livro que me deixe com aquele ar maravilhado, sabem?

Enfim, vamos a resenha de hoje, que se trata de um tema abordado muito atualmente, que é: Violência Doméstica.

14248966_1387218111328890_842626961_nAgatha tem 28 anos e, até então, vive aos pedaços.
Nativa de Juiz de fora, em Minas Gerais, logo cedo – aos 19 anos – abandonou a casa de seus pais para ir viver uma aventura de amor: ela conhece Bruno, um carioca lindo e irresistível e, não pensa duas vezes quando recebe a oferta de ir viver com ele no Rio. Muito apaixonada, porém cega. Em consequência, seus pais, muito religiosos, nunca mais lhe dirigiram a palavra direito, foi taxada de ingrata até o fim da vida de ambos.
Porém, um tempo após sua nova vida começar no Rio, ela descobre que nem tudo são flores, e o que é aparentemente lindo, pode calhar a ser pútrido internamente: Bruno Albuquerque se mostra não somente ciumento, mas obsessivo e violento, controlando cada passo de Agatha, batendo nela quando um simples olhar não direcionado a ele ocorre, forçando-a a ser socialmente uma esposa troféu, pois os Albuquerque são uma família de grande renome no Rio devido ao seu grande patrimônio mas, entre quatro paredes ela se torna o saco de pancadas dele.

“Só quem pode nos guardar é Deus. Se alguém quer fazer mal a alguém, não vai ser um muro alto que vai impedir”.

“O preço de se ter tudo é não ter com o que sonhar”.

Quando eles têm um filho, o pequeno Gabriel, ao invés de as coisas melhorarem, elas pioram: Bruno sente ciúme do próprio filho. ISSO MESMO, VOCÊ LEU CERTO. Do próprio filho. Se sente negligenciado da atenção de sua “amada esposa” e logo começa a se irritar muito com a presença da criança. As coisas ultrapassam o limite quando Bruno agride Gabriel, e, para o bem de seu filho, Agatha sente que precisa tomar uma atitude, mas encontra-se de mãos atadas.

14256294_1387218394662195_228342436_n-1 É quando um “milagre” acontece.
Agatha recebe uma ligação informando que, recentemente, sua tia Dulce, com quem ela havia perdido contato há anos faleceu, e, deixou seu pequeno sítio e seu gado para a sobrinha. Sem pensar duas vezes, Agatha aproveita o momento oportuno para cancelar todos os vínculos com seu marido e fugir com Gabriel.

Quando chega na cidadezinha de Rio Preto, ela encontra uma casa acabada: além de ultrapassada, está suja, com bolores, mofos e insetos. Sem falar que é incomparável ao luxo extremo no qual ela vivia no Rio. Mas só de lembrar disso, Agatha sente arrepios. Então ela começa a se virar sozinha da melhor forma que pode, para sua integridade e a de seu menino. Logo ela recebe auxílio do velho fazendeiro Pedro e sua esposa, Gema, que auxiliam e apoiam Agatha em tudo, simplesmente por boa vontade, e ela fica espantada ao descobrir que pessoas assim ainda existem.

Ali perto, onde dona Gema trabalha, ela conhece Vicente, um jovem do interior que, a princípio, se mostra um tanto ríspido e cauteloso, mas aos poucos vão caindo os receios e ele se mostra protetor, corajoso, sincero e carinhoso… e claro, muito, mas muito bonito, coisas que ela deixou de acreditar que ainda existiam em homens.

“Se não pode lidar com meu barulho, não mexa com o meu silêncio”.

“Eu sentia saudades de você antes mesmo de tê-la encontrado”.

Logo, os dois descobrem uma conexão profunda e intensa, e tentam lutar contra, mas os instintos falam mais alto e acabam se entregando. Até mesmo Gabriel, passa a tratar Vicente de forma absolutamente carismática e encantadora. Então Agatha se vê feliz e acolhida, em um local totalmente escasso de luxo, mas cheio de sentimentos e autenticidade.

Mas é claro que, o influente, psicopata-obsessivo Bruno Albuquerque não iria deixar isso barato, então, junto com toda sua fúria, dinheiro e loucura, já trama uma vingança sangrenta para todos os envolvidos.

Será o laço entre Agatha, Vicente e Gabriel, suficiente para vencer a violência e o ódio?

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Lycia Barros mais uma vez encantando com sua escrita, personagens principais e secundários perfeitamente construídos, e um desfecho relativamente justo e maravilhoso.

Eu esperava bem mais aspectos religiosos envolvidos, assim como em “A bandeja”, que me edificou muito espiritualmente.

“Às vezes, Deus permite que as pessoas passem por certas provações porque quer algo delas, ou então quer fazer algo com elas. Por isso, nem sempre nos permite intervir. Sei que parece cruel, mas quando o plano dEle se concretiza, tudo faz sentido.”

“O que sai da fornalha é muito melhor do que o que entra nela”.

Mas não faz mal, o livro é ótimo mesmo assim, repleto de reviravoltas e diálogos fortes,  e fonte de inspiração e coragem para quem vive ou já viveu em situações semelhantes.

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Título: Sem olhar para trás | Autor: Lycia Barros | Editora: Valentina | Páginas: 256 |  Ano: 2016 | Gênero: Literatura Brasileira | Adicione: Skoob | Compre: Amazon (realizando a compra por este link, você contribui para o crescimento e desenvolvimento do blog ♥).

*Livro cedido pela Editora Valentina para resenha no blog*

Kennia Santos

SP, 20. Completamente fissurada em leitura, futebol e Star Wars.

4 comentários sobre “Resenha | Sem olhar para trás

  1. Jéssica Medeiros disse:

    Uau!! Não tenho o que comentar depois disso… Lista de prioridade pra ontem!!!!!! Acho que pode ser um prato cheio pra uma estudante aqui de psicologia rsrsr <3

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