Resenha | Eu estive aqui

É incrível o quanto a mudança de vertente/gênero pode tornar o enredo de uma escritora tão melhor e, induzi-la a uma história tão boa.

Para mim, foi isso o que aconteceu com a Gayle Forman. Li todos os outros livros dela e, o único que gostei foi o ‘Para onde ela foi’ (porque foi narrado pelo Adam e ele tem uma baita voz para conduzir uma narrativa). Os outros, achei extremamente parados e sem conexão dos fatos, ou seja, livros que dão sono.

Em “Eu estive aqui”, ela aborda uma nova história, tirando o foco do romance e, voltando-o para temas mais polêmicos como suicídio, que trazem junto o drama, sofrimento, mistério e surpresas.

Fonte: Google Imagens

Fonte: Google Imagens

A história é sobre Cody e Meg. Inseparáveis desde a infância, e morando numa pequena cidade desde sempre. Planejavam juntas, estudar em Seattle. Mas, em contramão, Meg consegue uma bolsa integral numa faculdade extremamente boa e parte sozinha, furando com os planos feitos há tempos. Cody já não teve a mesma sorte e, fica presa na cidadezinha, fazendo faxinas em diversas casas para colaborar com as finanças em seu lar.

Tudo, aparentemente, está sob controle, até que, o mundo de Cody desmorona: ela recebe a notícia de que Meg – sua Meg, sua melhor amiga – se matou. S-E-M-A-T-O-U. Perplexa, chocada e, a pedido dos pais de Meg, Cody viaja ao lugar onde a amiga residia – Tacoma -, para reunir os antigos pertences. Mas, é aí que pistas e questionamentos começam a surgir…

Suspeitos aparecem, situações macabras e improváveis de serem vindas da pessoa que Cody mais amava se explanam… e, Cody decide investigar. Investigar a fundo o que aconteceu, os motivos e circunstâncias. O que ela não sabia é que, muitas vezes, procuramos exageradamente por respostas que se encontram embaixo do nosso nariz. Basta se atentar.

Eu Estive Aqui

O início do livro é bastante enrolado, tanto que pensei que fosse similar aos outros dela (logo pensei, DESISTO dessa autora) mas, passando os primeiros capítulos – onde é explicado todo o cenário e os personagens – a coisa toda começa a fluir.

Cody, após investigar o notebook da amiga, começa a investigar a fundo os verdadeiros motivos que  levaram Meg, a realizar tal ato. Se frustrando muito com tentativas vãs, começos sem fins e perguntas sem respostas.

“Aprendi na aula de física que o universo está se expandindo em uma razão de mais ou menos 70 quilômetros por segundo, mas não parece, quando você está parada no mesmo lugar”.

Fonte: studybreakdown.tumblr

Fonte: studybreakdown.tumblr

E é onde surgem personagens adjacentes muito importantes, como Harry (o gênio nerd da informática que a ajuda com os rastreamentos), Richard ‘locão’ amigo de Meg da UW, Alice, Tree e, por fim, o principal deles, que traz revelações para Cody, que a ajuda em todas as suas desventuras para solucionar os mistérios: Ben McCallister que, a primeira vista é o cafajeste que ‘partiu o coração’ da amiga e de quem ela deveria manter distância.

“É curioso como, quando começa a fingir, você percebe quanto todo mundo está fingindo também”.

A partir dessas incógnitas, a Gayle Forman desenvolve o enredo de forma magnífica, não permitindo o leitor desviar a atenção de forma alguma, induzindo-o a se atentar aos detalhes e, com uma qualidade de escrita muito considerável (algo que, apesar de não ter gostado do enredo dos livros anteriores, ela sempre teve).

“Como você pode não saber uma coisa dessas sobre sua melhor amiga? Mesmo que ela não lhe conte, como você pode não saber? Como pode acreditar que alguém é a pessoa mais bonita, incrível e simplesmente a criatura mais mágica que já conheceu, quando, no fim das contas, ela estava sofrendo tanto que precisou beber um veneno que rouba o oxigênio das células até o coração não ter outra escolha senão parar de bater?”.

Eu achei essa sentença muito, muito forte!

Ela consegue passar todo o drama, culpa e sofrimentos sentidos pela Cody e Ben que, se sentem culpados e, de alguma forma se julgam responsáveis pela morte de Meg, seja por ausência ou ilusão.

Também retrata a dor dos pais dela, descrevendo a ‘vida-com-Meg’, para possibilitar uma comparação com a atual ‘vida-sem-Meg’. E dos amigos que, com a Cody contando histórias sobre Meg e seu comportamento, se entristecem por não a terem conhecido mais profundamente.

“Embora a dor seja mais forte do que eu esperava, não choro por estar doendo tanto. Choro por estar sentindo tanto”.

Quando chega na reta final, onde se imagina que os fatos já estão todos definidos e resolvidos, ela vem com uma notícia e BAM!, parece que você não sabia de nada o livro inteiro, e não fica nada no ar, nada sem resposta ou sem nexo, os mistérios são revelados, os ápices das questões postas em frente se encaixam, e os complementos são inseridos de forma sutil, porém notável.

“Não sei dizer como tanta coisa pode ser comunicada com um simples olhar, mas é o que acontece. Complicado e confuso de um jeito totalmente bizarro é uma ótima maneira de descrever. Mas talvez o amor seja assim mesmo”.

Um livro digno de ser lido, pois induz o leitor a questionamentos e reflexões, permitindo-o se colocar no lugar dos personagens para imaginar qual seria sua atitude diante de tais circunstâncias, surpreendendo a cada capítulo e, com uma dose certa de romance.

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Título: Eu estive aqui | Autora: Gayle Forman | Editora: Arqueiro | Páginas: 240.

Kennia Santos

SP, 20. Completamente fissurada em leitura, futebol e Star Wars.

Um comentário sobre “Resenha | Eu estive aqui

  1. Jéssica Medeiros disse:

    Apenas uma coisa a dizer sobre essa resenha: U-A-U!!!
    Minha nossa, que resenha, Sawyer!!! To encantada!! O único que li da Forman foi “Se eu ficar” e como você disse dá sono mesmo, então até desisti de “Para onde ela foi”, mas ele já voltou pra minha lista quando você disse que é narrado pelo Adam <3 hahahah

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